O tempo do vento

A porta tá pela metade… quase fechando ou quase abrindo?
Objetiva e alinhada ao meu sol em virgem, fico querendo definir o que fazer com a porta.
Lembro que esqueço sempre que fechar uma porta com a maçaneta quebrada é uma estupidez.
Arrumo a maçaneta?
Faço como?
Não tenho conseguido consertar muitas coisas, só identifico o que tá quebrado e projeto uma saída. Consertar as coisas precisa mais do que um sol em virgem.
Deixo o vento cuidar da porta… Observo de onde vem o vento e aprendo com ele. Inclusive com a ausência de vento.
Aprendo sempre!
Mercúrio me rege e ele sempre sugere aprendizados…
De que lado virá o vento?
Será um daqueles ventos que fechará a porta com tanta força a ponto de me lembrar que deixei uma janela aberta?
Será que vai ser um daqueles ventos que abrirá a porta mais um pouquinho, devagarinho, como quem perde a hora e pergunta se ainda pode entrar? Qual é o tempo do vento?
Por que ele demora tanto?
Porque o tempo é cruel com quem lhe cobra mudanças.

Melhor esquecer o tempo ou vou acabar aprisionando-o. Melhor esquecer o vento ou vou acabar desviando-o.
Melhor esquecer a porta ou vou acabar esquecendo de mim.
Pronto!
A porta fechou.

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meu roteiro de filme francês

Não sei se são teus olhos que falam, te denunciam, te anunciam… ou se são meus olhos que procuram em teus olhos a legenda do teu olhar
Não sei se é a sua voz que me abraça, me sintoniza, me arrebata… ou se são os meus braços que procuram a tua melodia
Não sei se é o seu café, a sua tapioca, o seu sorvete de abacate ou se a minha cozinha amarela que te cabe tão bem
Não sei se é a poesia, a cerveja artesanal, o lado B no spotify, a eminência de uma aula de inglês ou a minha vontade de aprender contigo

Sem um final anunciadamente óbvio

Sem uma narrativa linear

Apenas meu  roteiro de filme francês

Orientação Visceral, por Everton

Em setembro deste ano, Everton, estudante de Licenciatura em Educação Física/UFRPE, apresentou um belíssimo texto para  justificar a dimensão pessoal que o levou a escolher a temática ‘Relações de Gênero, Sexualidades e Educação´, para sua Monografia.

Decidimos registrar aqui aquilo que chamamos de Orientação Visceral.

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Uma pessoa que cresce sabendo que pode gostar de quem quiser sofreria tanto quanto uma que cresceu ouvindo que isso é uma vergonha, um pecado, ou pior, uma abominação?

Será que uma sociedade que aprende a respeitar o/a outro/outra como indivíduo livre, que não é determinado pelo seu gênero e/ou pela sua orientação sexual, seria capaz de ferir tantos e tantas nas ruas com pedradas, facadas, pauladas e tantas outras formas?

Será que uma criança que aprende na escola a respeitar as igualdades e diferenças seria um/uma representante da ignorância e violência?

Um/Uma deputado/deputada, que enquanto criança estudou tais temas chegaria à Câmara sabendo que gênero não é sexo, que orientação sexual não é opção sexual e, ainda assim, teria discursos absurdamente separatistas e degradantes?

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Uma poesia?

Não conheço de verso, de métrica, de rima

Só de sentir, chegar e partir…

E até de chegar de novo, só pra dizer que tem que ir

Só pra violentar o meu peito que insiste em te guardar

Mas você não se guarda!

Você é aquilo que me transpassa e aquilo que eu quero alcançar

Aquilo que me vitimiza por não saber lidar

O que me torna aprendiz ao tentar te superar

O que me torna Santa por te deixar passar

Ou o que me torna humana por te querer roubar

@chuviscoderisco

@chuviscoderisco

ACASOS…

Baía Formosa-RN, 22 de julho de 2016.

Por pura culpa do livro que tô lendo, “a insustentável leveza do ser”, passei o dia pensando nos acasos, coincidências, encontros, surpresas… A rotina priva-nos de contemplar os acasos e furta-nos algumas dimensões de beleza da vida. Daí é só vc fugir um pouco e tudo se torna um palco de vislumbramentos.

O que poderia ter sido só um banho de mar, entre uma página e outra de meu livro, acabou dividindo espaço com o papo de quatro mulheres que, por acaso, sentaram em minha frente e começaram a conversar, em um tom contagiante, sobre os planos do fim de semana. Não eram aquelas boyzinhas gringas, típicas de Pipa, eram mulheres perto dos 40 anos, super empoderadas e lindas, cada uma a sua maneira… Adorei a energia!

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Para a amiga que casou um dia desses…

Votos, Conselhos, Testemunhos, Sugestões…

A gente faz um tutorial: As 10 melhores dicas para um casamento feliz!!

Não, amiga, isso seria lindo só se a gente tivesse lá no ensino médio… (aiai o tão polêmico ensino médio)

Então vamos escrever algo tipo um Post, para o nosso blog!

Ou seja, continuamos no ensino médio… =P

A gente lança uma pergunta no Face, como ponto de partida, tipo:

Que conselho você daria, hoje, para a sua amiga que vai casar amanhã?

Foi assim que começamos a ter uma ideia do que dizer para você e Ivan, nesta hora. A gente lançou isso no Facebook (apesar de preferirmos o twitter), para os…(quantos amigos e amigas a gente tem mesmo, no total?)

Vamos às conclusões das redes sociais…

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DIÁLOGO

_ Acabou?

_ Acabou!

_ Antes de começar?

_ Não. Começou! Teve início e fim, só não teve meio.

_ Faltou estrada?

– Não! Ou melhor, havia uma promessa de estrada. Linda, cheia de novidades, encantamentos e surpresas. Mas as “surpresas só procuram as pessoas distraídas”. Distrair-se num caminho novo pode ser mais difícil do que você imagina. A gente mata a novidade sempre que sobre ela lançamos o olhar do “lugar comum”, do “já sei onde isso vai dar”, dos clichês que versam sobre a previsibilidade humana. Insistimos em esquecer que o ser humano é complexo. Esquecemos que o sujeito indeterminado pode ter espaço em nossa narrativa, porque o confundimos com o sujeito oculto. Perdemos a oportunidade de nos distrairmos no mundo do outro. As surpresas acabam, na verdade, elas nem surgem quando se formata a chegada do final feliz.

_ E agora, o que você vai fazer com esse fim?

– Vou fazer dele mais uma inspiração, mais um aprendizado e mais um exercício de olhar para a vida como uma estrada onde as surpresas do caminho sejam mais arrebatadoras que a vontade de chegar a um determinado destino.

Por mais histórias com meios, onde seus inícios sejam inevitáveis e seus fins esquecidos, pelo menos enquanto houver surpresa.  

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POR MAIS (RE)ENCONTROS COM SIMONE DE BEAUVOIR

Estávamos terminando o Ensino Médio, em 1999, e nossa turma foi “FERA 2000”, ou melhor, “Fera 2×10³”. Tínhamos frase de Raul Seixas na camisa de concluintes, de João Cabral de Melo Neto na placa de formatura exposta no pátio do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Pátio este que deve estar com seus dias contados, já que o prédio está entrando nas estatísticas que mostram a péssima relação que o Brasil tem com sua memória. Éramos apaixonadas e apaixonados pela professora de Literatura e Português, havia quase que um fã clube para o professor de História. Não tínhamos aula de filosofia. Tínhamos aula de religião!

Uma turma eclética que se achava subversiva, contraditória, com pessoas inteligentes, brilhantes, esforçadas, preguiçosas, ‘sem-noção’ como qualquer outra turma de ensino médio. A gente ‘se achava’ muito, mas arrisco dizer que se caísse Simone de Beauvoir no vestibular não saberíamos identificar quem teria sido essa mulher e qual sua importância para as humanidades.

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O DESAFIO DA ESTANTE

Sabe aquela sensação de querer dividir uma ideia com alguém? Uma ideia, uma provocação, uma dúvida, uma curiosidade, um ‘plano de poder’, um estudo, uma gargalhada, uma lágrima… Algo grande demais para os caracteres do Twitter e importante demais para a bagunça efêmera do Facebook.

Pronto! Resolvemos criar o G&L para isso. Todavia, está claro: Não estamos conseguindo alimentar este danado.

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Não precisamos ser inadequadas, a não ser quando quisermos ser!

No dia de Natal mandei uma mensagem para minha irmã perguntando se seria “inadequado” irmos ao cinema naquele dia. Geralmente, dia de ficar com a família ruminando o resto da ceia, ficar fazendo planos para o réveillon ou ir ao encontro de cavalos marinhos na Cidade Tabajara-Olinda (nunca foi? Precisa ir, colega).

Queria cinema! Não só porque queria um cinema, mas porque queria consumir o filme “As Sufragistas”. Estava curiosa, não tinha tantas expectativas, mas estava ansiosa para saber mais sobre o recorte histórico, os dramas em torno do sufrágio feminino, a interpretação de Carey Mulligan (arrasante, por sinal) e a participação flash de Meryl Streep (rápida, mas também arrasante).

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